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PORQUE

(Dedicado a los niños, doblemente ofendidos)
 

Y porque tendrían ellos que arrepentirse,
Por haber nacido en medio de la mayor pobreza?
Por no tener  acceso a las escuelas?
Por vivir con rabia?
Por ser lo que son hoy?

No les basta  vivir con eso en la conciencia ?
Mi Dios, pero acaso ustedes saben leer,
Lo que va en el alma de estos niños?
Ya imaginan como ellos despiertan todos los días,
Iguales a tantos otros días?
Ya sentirán como son frágiles...
Cuando la noche llega y no consiguen dormir,
Por causa del frío que corta,
Por dentro y no por fuera,
Y ahí, aunque en susurro,
El entorpecimiento las va adormeciendo,
Pueden adivinar los sueños de ellos?
No saben que delante del  ser nada,
Es la única cosa que pueden ser, nada?

 y que es su destino ir a la muerte
Ser lo que son,
Siendo que, lo que son, saben bien,
Porque escuchan de la boca del pueblo, que los reniega?
Que juzga y los llevan para una sala de exterminio,
Homosexuales con estrella rosa al pecho,
A la izquierda y a la derecha sentados, los gitanos?
Niños al fondo y enfrente, de la minúscula
ventanita del portal, sentaditas las niñas? 

Y que haríamos enseguida,
Los matamos todos, administrándoles,
De forma indolora, el gas de nuestra incomprensión
hasta se que pueda considerar entender,
Por  absurdo para cualquier pensamiento,
Que sea?
Vea como es fácil, cuidar del que se quiere,
Cuando se quiere, querer bien!
El resto… el resto es demagogia barata,
Para continuar soportando los excesos
De ciertas entidades, alimentando ciertos vicios,
Para encubrir, esconder,
Ir por la calle como si nada aconteciera,
Para no perder el sosiego....
Ellos están mal?
Hagan  lo que les quede bien…

Comenzando por vuestro pensamiento
Y dócil  aborrecimiento...

Jorge Humberto

Portugal

(20/12/2003)

 

 

PORQUE

 

(Dedicado às crianças, duplamente ofendidas)

 

 

E porque haveriam elas de arrepender-se,

Por terem nascido no meio da maior pobreza?

Por não terem acesso a escolas?

Por viverem enraivecidas,

No se terem tornado no que hoje são,

Não lhes basta o viver com isso na consciência?

Meu Deus, mas acaso vocês sabem ler,

O que vai na alma destas crianças?

Já as viram no acordar de todos os dias,

Iguais a tantos outros dias?

Já lhes viram o susceptibilidade,

Quando a noite chega e ainda não adormecem,

Por causa do frio que corta,

Por dentro e não por fora,

E aí, ainda que em sussurro,

Agora que o entorpecimento lá as vai adormecendo,

Escutar-lhes dos sonhos?

Não sabem que perante o seu ser nada,

Isso é o tudo que os deixam ser e podem?

E que é de honra, a levar para a morte,

Serem o que são,

Sendo que, o que são, sabem-no bem,

Por escutar da boca do povo, que os renega?

 

Que julgam, leva-las para uma sala de extermínio,

Homossexuais com estrela rosa ao peito,

À esquerda e à direita sentados, os ciganos?

Meninos ao fundo e defronte, da minúscula

Janelinha do portão, assentidas as meninas?

E que faríamos de seguida,

Matávamo-los a todos, administrando-lhes,

De forma indolor, o gás da nossa saturação,

Que até se pode considerar compreensível,

Mas de todo inadmissível ao pensamento,

Que seja?

 

Pois vede como é fácil, cuidar do que se quer,

Quando se quer, querer bem!

O resto… o resto é demagogia, dada de barato,

Para continuar suportando os excessos

De certos desportos, alimentando certos vícios,

Pôr pelica ou sobretudo,

E sair à rua como se nada acontecesse,

Para lá do seu próprio bocejo.

 

Está mal?

Ponham-nas bem…

Começando pelo vosso pensamento

E dúctil aborrecimento…

 

 

Jorge Humberto

Portugal

(20/12/2003)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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