COMOÇÃO

Ângela Maria Crespo


Fascínio em meu corpo que te busca,
Origma que me leva á inconsciência,
E me arrasta a insensatez brusca,
Oh! sentidos, dá-me consciência!


Tento fugir de emoções acuadas,
Que me arrastam tortuosamente,
Para lugares de cruel ramadas,
Ao encontro de um final ausente!


Dá-me horas de sublime silêncio!
Horas de um jubilo incessante!
Sem o espinho que estua imenso.

Leva teu manto de negras trevas.

Me renderei ao poder presente,
Sou o sacrifício aos divinos devas.


ONDE MINHA VIDA?

Ângela Maria Crespo


Sem um alento que minh'alma invada,
Vou as cegas carregando minha cruz;
Procuro pela existência sonhada,
Em meio a sombria noite sem luz.


Meu manto de Vesta...Quem mo despojou?
Meus olhos puros... Meu peito sem dor?
Meu Cetro de glórias..quem o anulou?
Só este mórbido pesar e seu horror!

Tenho cantado, tenho erguido a voz,
Chorando numa lânguida balada,
O triste exílio em que vive o nós.

E assim, não sei, debaixo destes ais,
Se canto a esperança desejada,
Se choro os ais dos pobres mortais.



ATENTES AMOR

Ângela Maria Crespo


Atentes amor, a minha penosa cruz,
Não sentes a morte que me conduz?
Não vês que as falenas já se foram?
E os sonhos de cetim até rasgaram?

Atentes amor, as ilusões ceifadas,
As doces fantasias arrebatadas,
A um coração aflito, sufocado,
Ao gemido brutalmente calado.

Atentes amor, sintas o triste final,
O escoar do derradeiro fanal,
Da vida o pobre e último lamento.

Amor... para ti meu eterno pranto,
Minha vida em místico encanto,
Minha alma em imutável tormento.

TRISTE SINA

Ângela Maria Crespo


Eu sou aquela que mora na tristeza,
Que tem a amargura como ventura,
Que a vida não concede beleza,
Que vive o amargor sem ruptura.

Sou aquela que caminha esquecida,
Que da sorte desvia-se sem pouso,
Que não tem asas para a acolhida,
E nem, mero ninho para repouso.

Do céu sou andorinha desgarrada,
Do mar a vaga que reprime o pranto,
De uma flor a pétala arrancada.


Sou a folha que o outono carregou,
E, não restou o regaço de um riacho,
Para suster o caos que a ameaçou.


ILUSÃO

Ângela Maria Crespo


Quem sois, inimaginável ventura:
Ora trazes momentos de pura ternura;
Ora momentos de tenebrosa agonia,
Porque instantes de jubilo e fobia?

Onde anda meu coração tranqüilo?
Onde meu espírito, tenaz pupilo?
Onde minha ilusão mais sonhada?
Onde minha visão mais arrojada?

Procuro-te em vão emoção calada:
Na plenitude desta comoção alada,
Neste funesto jogo de amor e dor.

Meu ego paira indeciso, me traz...
Rara lucidez - Liberta e sagaz...
Só tu rara ilusão, traga o temor.


R O G A T I V A

Ângela Maria Crespo


Deus... Senhor das leis do Universo!
Olhe por mim, sou a pobre perdida,
Que neste mundo vaga incontida,
levada por um momento adverso.

Surrada por negligente batalha,
silenciada por rude itinerário,
Açoitada em desumano calvário,
Encoberta com ignóbil mortalha.

Olhe por mim! leve-me o desterro,
Alivia-me desta cruel tortura...
Dá-me a paz...Liberte-me do erro.

Que em Tua luz encontre a ventura,
Que me fará esquecer o passado,
E eternamente viver Tua brandura.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Elena Dudina

 

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